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Nasceu a Federação Portuguesa do Caminho de Santiago que vai implementar uma estratégia nacional

Caminhos de Santiago 2

A Federação Portuguesa do Caminho de Santiago, criada esta sexta-feira em Pedras Salgadas, concelho de Vila Pouca de Aguiar, vai implementar uma estratégia nacional para a melhoria, divulgação e promoção destas vias de peregrinação para a Catedral de Santiago de Compostela, na Galiza, Espanha. A criação desta federação foi coordenada pela Câmara de Vila Pouca de Aguiar, que é a representante nacional da Federação Europeia dos Caminhos de Santiago, e é neste município do distrito de Vila Real que vai ficar sediada a associação de carácter cultural sem fins lucrativos. “Este projecto nasceu da necessidade de haver uma estratégia comum nacional relativamente aos caminhos de Santiago, nomeadamente quanto à sinalética, quanto a boas práticas, quanto a albergues e apoio a peregrinos”, afirmou Ana Rita Dias, vice-presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar. “Todos os municípios e todas as associações vão promover todos os caminhos em Portugal. É uma estratégia para mantermos os peregrinos em Portugal a fazerem os vários caminhos que existem”, frisou Ana Rita Dias. A Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal preparou uma candidatura, recentemente aprovada, que vai aplicar cerca de 90 mil euros na promoção dos caminhos de Santiago.

O concelho da Lourinhã também integrou a rede de caminhos de Santiago, que atravessam Portugal de sul para norte, seguidos pelos peregrinos ao longo dos séculos. Muitos, vindos do sul de Espanha e de outros países do sul da Europa, bem como aqueles que entravam em Portugal pelo mar, necessitavam de caminhos bem indicados e de locais onde pudessem pernoitar durante as suas viagens.

O historiador lourinhanense Rui Marques Cipriano publicou o resultado da sua investigação no nosso concelho no livro ‘Lourinhã nos Caminhos de Santiago’, editado pelo Centro de Estudos Históricos da Lourinhã em Junho de 2000. Trata-se do trabalho apresentado nas 1ªs Jornadas de História e Cultura da Lourinhã que decorreu entre 14 e 16 de Maio de 1993. O autor, que foi colaborador do ALVORADA durante muitos anos, afirma que não existem no nosso concelho qualquer igreja ou capela dedicada a Santiago mas há muitos vestígios que aludem ao culto, como, por exemplo, na porta norte e pia baptismal na Igreja de Santa Maria do Castelo. As vieiras esculpidas em vários templos existentes no concelho provam, segundo Rui Marques Cipriano, “que a Lourinhã era final de etapa nos Caminhos de Santiago”. A Santa Casa da Misericórdia da Lourinhã teve uma Casa de Passagem, segundo o historiador, “que se se destinava a acolher pobres e peregrinos, cumprindo assim uma das Obras de Misericórdia: dar pousada aos peregrinos, a que estava obrigada pelo seu compromisso”. Também na heráldica da Lourinhã se encontram símbolos dos peregrinos de Santiago, nomeadamente no que é considerado um dos primeiros brasões da vila e que apresenta uma concha de vieira. Rui Marques Cipriano conclui que “a influência de Santiago e dos seus peregrinos no património local está bem presente na vila da Lourinhã e far-se-á sentir até pelo menos aos finais do século XVII”.

Actualmente podem identificar-se em Portugal três percursos principais: o Caminho da Costa que parte do Porto, atravessa o Minho até Espanha, o Caminho Interior que liga Viseu a Chaves, com saída para Espanha por Vilarelho da Raia, e o Caminho Central Português que sai da Sé de Lisboa e passa por Tomar, Coimbra até entrar no Porto e seguir depois para Norte.

A nova federação agrega cerca de 60 entidades, entre municípios e associações de peregrinos, e tem como objectivo a promoção, divulgação, organização e gestão dos caminhos de Santiago em território nacional. Pretende-se ainda delinear e implementar "uma estratégia comum em todo o país", bem como uma “sinalética igual” nestas vias de peregrinação. A federação visa também revitalizar e dinamizar as variantes do Caminho Português de Santiago como importantes vias de peregrinação a Santiago de Compostela, recuperando, preservando e promovendo também o património histórico-cultural e religioso associado ao caminho, a interculturalidade dos povos e impulsionando o desenvolvimento económico, social e ambiental das regiões atravessadas.

Texto: Paulo Ribeiro/ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: ALVORADA