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Cinema
A longa espera


A longa espera“... e foi então que, Alexandre, vendo a extensão do seu império, chorou, pois não havia mais mundos para conquistar. “ Esta poderia bem ser a velha máxima usada para tentar explicar o desejo de todos os que fazem cinema em Portugal: O de levar os seus espectadores às salas. Ter um país que apoiasse a cultura em todas as suas formas culturais, desde o Teatro (uma das melhores escolas de actores) até ao cinema. Recordo o produtor Tino Navarro em entrevista ao programa de cinema da RCL, sem salas de qualidade, não se pode fundamentar o gosto nos portugueses. Isto vem a propósito dos debates que têm tido lugar em Lisboa sobre as causas da decadência do cinema português na sua vertente comercial. A falta de espectadores, a falta de edições em DVD de qualidade, as condições precárias da sua realização e produção, entre outros. Mas a falta de espectadores não é originada pela pseudo “crise”.


É que as salas que ostentam filmes de produção estrangeira (a maioria americana) ainda consegue bons resultados. Nós é que não vemos o nosso cinema. Mas também existem outras causas. Onde estão as nossas tão prometidas salas de cinema? A utopia perfeita, ainda que fosse necessária, era a de que, segundo o produtor da MGN filmes, Tino Navarro, «Todas as vilas e cidades de Portugal deveriam ter, pelo menos, uma sala de cinema de qualidade. Apenas quando toda a população tiver um bom acesso às salas, será possível resolver esta situação.»


E que não se diga que é impossível. Os nossos vizinhos franceses em 2001 iniciaram uma reforma a nível cultural, onde se incluía a construção de mais de 12 000 salas em território francês, em vilas e cidades, incluindo até algumas aldeias. Os frutos de tal colheita foram a maior subida de sempre de espectadores a ver cinema francês, bem como um aumento de todas as virtudes culturais e do patriotismo inerente às suas produções se divulgarem abismalmente em todo o mundo. Que orgulho do cinema Francês! É possível adoptar esse sistema em Portugal. O problema foi que, enquanto país liderado pelos interesses comerciais e não culturais, a reforma do cinema apresentada em Maio passado ficou na prateleira. Não era lucrativa para as distribuidoras....
Destas utopias lembro-me imediatamente do (mau) exemplo da Lourinhã, usada, aliás, nesses debates, como exemplo de um lugar onde muitos habitantes desejam uma noite de cinema, mas que sempre que querem ir ao cinema, têm de se deslocar mais de 40 Km para o cinema mais próximo. 40 Km! Um facto que os presentes nesses debates acharam vergonhoso, mas acima de tudo, não é apenas a Lourinhã. Muitas mais vilas e mesmo cidades de Portugal ainda não têm cinema. Até porque, aparentemente, o nosso já está a andar...


Aqueles que queiram saber um pouco mais sobre estas “meditações cinematográficas” que tiveram lugar em Lisboa, visitem o portal
www.cinema2000.pt.


Enquanto esperamos, não deixe de ver o que é nosso.


Visite uma sala (em Lisboa... a 75 Km) em que o filme em exibição seja português. Vai ver que vale a pena.




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