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O suicídio não é a solução… “Só Deus basta!”

A Organização Mundial de Saúde publicou, a 9 de Setembro, um relatório feito com base em estimativas globais de 2016 onde refere conclusões preocupantes que apresento de forma sistemática porque me parece que se trata de algo que não devemos ficar indiferentes dada a sua importância vital:
- Todos os anos morrem 800 mil pessoas de suicídio, há um suicídio a cada 40 segundos e a maior parte de pessoas com menos de 45 anos;
- O suicídio está entre as 20 principais causas de morte em todo o mundo - e é a segunda causa de morte para os jovens -, provocando mais mortes que a malária, o cancro da mama ou mesmo as guerras e homicídios;
- Nos países de elevado rendimento a taxa de suicídio é três vezes superior à dos países de médio ou baixo rendimento;
- Portugal ocupa o 20.º lugar Europa e, o suicídio é a segunda causa de morte para jovens entre os 15 e os 29 anos, a seguir aos acidentes rodoviários e à frente das mortes por violência interpessoal.


A Igreja acompanha os homens e tem a missão de anunciar O Evangelho da Vida e de denunciar os males e os erros presentes na história que condenam o homem no presente da sua existência. São João Paulo II alertou no texto profético, Igreja na Europa nº9, "estamos assistir a uma apostasia silenciosa por parte do homem auto-suficiente que vive como se Deus não existisse”. A consequência imediata é a perda de valores porque quando os homens se esquecem de Deus então fica prisioneiro do relativismo. O Papa Pio XII numa frase considerada quase proverbial tinha profetizado: "o pecado do século é a perda do sentido do pecado" e anos mais tarde São João Paulo II interpelava os jovens universitários: "Aprendei a chamar pecado ao pecado, e não o chameis liberdade e progresso".


A cultura de morte está de tal forma disseminada na nossa sociedade que muitos perdem a esperança e o suicídio parece ser a única solução para uma existência condenada a um vazio de sentido. As causas estão numa mentira repetida até à saciedade: “o homem é senhor de si mesmo”. Esta visão totalmente distorcida da vida conduz a um abismo de sofrimento sem horizonte e consecutivamente à destruição de si mesmo. 


O Papa Bento XVI dias antes de ser eleito tinha afirmado com um discernimento brilhante: “Enquanto que o relativismo, quer dizer, deixar-se 'levar à deriva por qualquer vento de doutrina', parece ser a única atitude adequada nos tempos atuais. Vai se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida somente o próprio eu e seus desejos" e pouco tempo depois já na cadeira de São Pedro ensinava “sem a luz da verdade; mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de facto, condenada a duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, do valor do seu compromisso para construir com os outros algo em comum”.


A mudança só se fará ao nível da mentalidade e sobretudo do coração. Santa Teresa de Jesus, que a Igreja celebra a15 de Outubro, teve de enfrentar no século XVI um mundo perdido em superficialidades e coisas vãs dentro e fora do convento onde vivia. A reforma que fez não fundou nas suas qualidades e fortaleza mas, sobretudo, numa experiência de amor com Jesus que a fazia aproximar-se de Deus e estar próxima para servir os homens. Dentro do muito que deixou escrito reproduzo aqui um dos seus poemas mais conhecidos cuja densidade e clareza são um autêntico programa para podermos começar a mudar.


Nada te perturbe, Nada te espante,/ Tudo passa, Deus não muda, / A paciência tudo alcança; /Quem a Deus tem, Nada lhe falta: /Só Deus basta.
Eleva o pensamento, Ao céu sobe, / Por nada te angusties, Nada te perturbe. / A Jesus Cristo segue, Com grande entrega, / E, venha o que vier, Nada te espante. /Vês a glória do mundo? É glória vã; /Nada tem de estável, Tudo passa.
Deseje às coisas celestes, Que sempre duram; / Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-o como merece, Bondade Imensa; / Confiança e fé viva, Mantenha a alma, / Que quem crê espera, Tudo alcança.
A maldade, a injustiça, / O abandono, não ameaçará, / Quem a Deus tem, / Mesmo que passe por momentos difíceis; / Sendo Deus o seu tesouro, Nada lhe falta".
Ainda que tudo perca, Só Deus basta.

Pe. Ricardo Franco
Edição 12567- 18 de Outubro de 2019