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“Fazei tudo o que Ele vos disser!”

A Palavra de Deus é viva e eficaz.” (Hb 4, 12) A Igreja alimenta-se da Palavra de Deus e tem a missão de a comunicar. Todas as celebrações sacramentais, e muitos dos momentos de oração, nascem da escuta do Senhor que nos fala nas Sagradas Escrituras. O que escutamos não são teorias abstractas sobre a realidade, nem ideias humanas para transformar o mundo e muito menos preceitos morais desfasados da realidade, mas a sabedoria divina comunicada aos homens, na linguagem que somos capazes de entender, para nos revelar um caminho de plenitude.           

Apesar de já estar acessível a todos nas muitas edições escritas da Bíblia e em diversos meios digitais, muitos dos cristãos apenas a ouvem quando participam nas celebrações sacramentais, nomeadamente na Eucaristia dominical, e mesmo assim quase que valorizam mais a homilia do sacerdote do que a Palavra proclamada em todo mundo. As Escrituras Sagradas são um tesouro, um manancial de graça para a vida. Para as acolher é necessário dar espaço ao Espírito de Deus para que estas possam transformar a vida.

O que escutamos não são textos de gabinete, nem reflexões complexas sobre a divindade, mas o fruto da inspiração do Espírito que se revelou na história e fez conhecer a vontade de Deus nos acontecimentos. O autor bíblico é inspirado para passar a escrito o que na sua vida e na história do povo são as poderosas manifestações de Deus. A Bíblia é composta por 73 livros (46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento), possui diferentes géneros literários, e percorre quase dois mil anos desde a história desde Abraão até à morte do último apóstolo de Jesus.

A beleza desta Palavra e a sua grande virtude é que ao ser de inspiração divina supera todas as contingências humanas, ou seja, nunca podemos dizer que ela é coisa do passado, antiguidade pré-histórica, ou datada de uma época, porque ela se torna sempre actual na vida de quem a escuta e se dispõe a acolhê-la. A verdade é que ela sempre interpela a vida e nos convida a ir mais além, a ultrapassar a mediocridade de uma vida sem sentido, e arriscarmos a viver o Amor de Deus manifestado plenamente em Jesus Cristo.

Há dois Domingos atrás causou escândalo o texto da Carta de São Paulo aos Efésios, porque alguns não aceitaram que na Igreja se pudesse falar de submissão, nomeadamente, das mulheres. A Conferência Episcopal Portuguesa escreveu a esse propósito, muito oportunamente, uma nota (https://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/a-proposito-da-leitura-de-sao-paulo-sobre-as-mulheres/) que recomendo a leitura por ajudar a compreender o texto no seu contexto. Nesse sentido parece-me que o desafio está em sabermos aproveitar esta oportunidade como uma ocasião de crescimento. A Palavra que escutamos é fundamental para uma compreensão integral do homem e da sua acção no mundo.

Os cristãos não vivem de opiniões nascidas de ideologias duvidosas, ou se deixam guiar pelos fazedores de opinião dependentes de fortes interesses políticos ou económicos, mas procuram em cada dia receber o dom do céu para aprender a peregrinar na terra construindo uma sociedade mais justa e fraterna. O que celebramos na Igreja está sempre ligado ao que havemos de fazer no quotidiano da nossa existência. O “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe” com que terminam todas as celebrações litúrgicas expressa essa verdade fundamental: o que ali recebemos de graça é para ser dado a todos com quem partilhamos a aventura da existência.

A sabedoria das Escrituras é fundamental para a nossa vida. No mundo em que tudo parece efémero e vazio, precisamos da verdade que dá consistência e nos faz caminhar firmes, precisamos do Senhor que pode transformar água em vinho (Jo 2, 1-11), se aprendemos como Maria nos ensina a “fazer tudo o que Ele nos disser!”.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1308 - 3 de Setembro de 2021