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António Costa inaugura Unidade de Saúde Familiar no Bombarral mas evita novo Hospital do Oeste

USF Bombarral

Ainda não foi desta que António Costa falou publicamente sobre o futuro hospital do Oeste. De visita esta terça-feira ao Bombarral, para inaugurar a 100ª Unidade de Saúde Familiar no Centro de Saúde da vila, o Primeiro-Ministro passou ao lado, no discurso da ocasião, do “enorme desafio” para a nossa região, referido, minutos antes, pelo presidente da Câmara Municipal, o também socialista Ricardo Fernandes.

O autarca, que abriu os discursos após a inauguração formal da primeira e única USF do Bombarral, aproveitou mais uma vez a presença do governante para falar sobre uma questão que “é incontornável” para o Oeste. Apesar de considerar que o tema do novo hospital do Oeste tem muita importância e é acompanhado nessa mesma visão pelo líder do Governo e também pela ministra da Saúde, Marta Temido, igualmente presente neste evento, o certo é que ambos, nas palavras públicas que proferiram a seguir, não disseram uma palavra sobre o assunto. Não se quiseram comprometer politicamente sobre o futuro equipamento público, apesar da ministra ter destacado, semanas antes, na Benedita, da necessidade da construção de um novo hospital para o Oeste, mas só depois de identificar o perfil e encontrar financiamento para a futura unidade.

O edil Ricardo Fernandes voltou a destacar a importância do futuro equipamento hospitalar porque “as necessidades são mais que evidentes” e “comprovadas pelas 300 mil pessoas que dele irão beneficiar e pelas razões técnicas inerentes à sua construção, quer ao nível das valências necessárias a implementar, quer ao nível do aumento da capacidade e de resposta, mas também nas novas tecnologias, capazes de capitalizar e atrair mais profissionais de saúde”. “No entanto, cabe a todos nós, autarcas desta região, encontrar pontes e entendimentos, deixando de parte, bairrismos ou ideias ultrapassadas, assentes apenas na visão egocêntrica. É necessário olhar para esta região como um todo, da mesma forma como soubemos olhar em tantas outras áreas estratégicas para o Oeste”, defendeu Ricardo Fernandes perante António Costa e Marta Temido. Daí que dê ênfase a esta questão porque “é importante este primeiro passo, colocando os interesses das populações sempre em primeiro lugar, sejam elas do Bombarral ou de outro concelho da nossa região”. O autarca bombarralense é de opinião que se trata de uma “tarefa simples” porque “basta encontrar uma solução com critérios bem definidos por uma entidade idónea e reconhecida. Para que estes resultados possam ser apresentados ao Governo, ajudando-o na sua tomada de decisão, do porquê da construção e de onde a construção”. “Um dado é certo, o Oeste necessita deste hospital. Sabemos todos. Os municípios que dele irão usufruir. O Governo enquanto decisor e as populações que por ele aguardam, olhando para cada um de nós como os garantes e responsáveis para que isso seja uma realidade”, remata o edil bombarralense. Na assistência estava o presidente do Conselho Intermunicipal da OesteCIM - Comunidade Intermunicipal do Oeste, Pedro Folgado, entre outros autarcas, que partilha da mesma opinião.

Ainda sem entendimento entre os presidentes dos 12 municípios em relação à localização do futuro hospital oestino, o Conselho Intermunicipal da OesteCIM aprovou, há poucas semanas, a abertura do procedimento para a realização de um estudo que apontará o local onde deve ser construído o equipamento público. Apesar das reservas do presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, o social-democrata Tinta Ferreira, que não quer que a sua cidade fique futuramente sem hospital, os restantes autarcas oestinos querem que o assunto fique decidido com bases técnicas para convencer o futuro Governo para dar luz verde para a construção da obra.

Sem a definição de um local para acolher o futuro hospital do Oeste, por parte dos autarcas, não deverá ser tomada uma decisão pelo futuro Governo. Em 2006, aquando da passagem de Correia de Campos enquanto responsável do Ministério da Saúde, no segundo Governo socialista de António Guterres, esteve para ser tomada a decisão para a construção de uma grande unidade hospitalar para a nossa região. O ministro estava disponível e receptivo à ideia e a mesma só não avançou porque, na altura, os autarcas que compunham a então Associação de Municípios do Oeste, não conseguiram tomar uma decisão por unanimidade quanto à sua localização. Na altura, o social-democrata Fernando Costa, que liderava a Câmara Municipal das Caldas da Rainha, não abdicou de continuar com o hospital distrital na sua cidade, o mesmo acontecendo com o então presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, o socialista Carlos Miguel. Resta agora saber se a história vai ou não repetir-se.

Texto e fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA