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Velas, colchas e flores!

A passagem da imagem da Virgem Maria, Nossa Senhora do Rosário de Fátima, pelas ruas das terras das paróquias onde estamos a servir foi, novamente este ano, um momento comovente e interpelador. A pandemia impediu que fizéssemos as habituais procissões a pé por algumas ruas das terras, mas possibilitou que desta forma a Mãe do Céu visitasse os seus filhos em todas as casas. Uns estavam à espera com velas, flores e colchas nas janelas, outros foram surpreendidos, mas a todos aqueles breves instantes foram um consolo para a alma e alegria para o coração.

O que importa agora é não ficarmos pelo sinal sem procurar o seu sentido. Maria quer-nos muito para o seu Filho. Vivemos numa sociedade marcada por muitas contradições e dificuldades, as incertezas do futuro certamente nos oprimem, contudo, com Maria aprendemos a olhar o céu, a esperar no Amor de Deus que ela gerou no seu seio para se oferecer por todos nós.

Os problemas não desaparecem, os desafios não estão vencidos de forma mágica, os sofrimentos permanecem, todavia, quando temos Maria connosco é como se acendêssemos uma pequena vela no meio das trevas da noite, apesar de nos faltar tanto, sabemos oferecer flores, e mostrar o melhor que temos, para dar beleza à vida.

À medida que ia passando nas casas rezando o rosário e dando a bênção a quem saudava Maria, pensava em tantos que vivem sem sentido, cujo horizonte da existência é a incógnita do amanhã, e pedia ao Senhor que pela intercessão da sua Mãe possa dar esperança a quem se encontra perdido, fortaleça os que não desistem e anseiam pela eternidade.

Quando todos acendemos uma vela a noite fica iluminada, as trevas não desaparecem, mas é possível olharmos o rosto uns dos outros, sabendo assim que não estamos sós. A esperança vence a solidão porque nos capacita para o encontro no amor que vence o mal. As flores na rua, as colchas nas janelas e varandas, constroem a beleza que nos permite sorrir, alimentam a alma que não desiste de buscar sempre mais, fazem acreditar que a existência vale a pena quando damos o melhor de nós.

O Papa Francisco exorta-nos a uma ecologia integral, que radicando nos valores evangélicos transforme a nossa forma de viver. “Precisamos de uma nova abordagem ecológica que transforme a nossa maneira de habitar o mundo, os nossos estilos de vida, a nossa relação com os recursos da Terra e, em geral, o modo de olhar para o homem e de levar a vida. Uma ecologia humana integral, que envolve não só as questões ambientais mas o homem na sua totalidade, torna-se capaz de ouvir o clamor dos pobres e de ser fermento para uma nova sociedade”.

As nossas relações precisam de amor, de esperança e de beleza. A vida não pode estar refém de lógicas consumistas, de buscas desenfreadas de prazeres efémeros que nos consomem, destroem o ambiente, sem nos saciar. A pandemia mostrou-nos a nossa fragilidade e do mundo que construímos. É necessário que nos unamos naquilo que importa e não tenhamos medo. A noite pode ser muito densa, mas se cada um de nós tiver o desejo de fazer brilhar uma pequena luz estaremos a fazer parte da mudança.

O Santo Padre acredita e interpela. “Há esperança. Todos nós podemos colaborar, cada qual com a própria cultura e experiência, cada um com as suas iniciativas e capacidades, para que a nossa mãe Terra regresse à sua beleza original e a criação volte a resplandecer, de acordo com o desígnio de Deus”.

Maria passa à nossa porta para nos mostrar que ela está unida a todos os seus filhos. A sua intercessão junto do seu Filho nas Bodas de Caná - “Não têm vinho!” - permanece ainda agora na sua atenção pelo que mais precisamos. O mandato que dá aos servos - “Fazei tudo o que Ele vos disser!” - é a garantia de quem acredita que o maior poder é o Amor que vence o mal. Agora é a nossa vez de responder. Não estamos sós!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1304 - 4 de Junho de 2021