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Encarregados de educação

A educação das gerações mais novas é um dever da sociedade e um direito fundamental consagrado no artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos do Homem. É importante que os mais velhos ajudem os mais novos a desenvolver as suas capacidades, lhes transmitam aquilo que é a sua experiência de vida e, sobretudo, os valores essenciais do ser pessoa na convivência com os outros.

O nosso viver em sociedade supõe a partilha das responsabilidades. O parágrafo 3 do mesmo artigo diz com clareza: “aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos”. A afirmação não é sujeita a interpretações porque de facto os “encarregados de educação” são prioritariamente os pais. As escolas e todas as outras formas que a sociedade oferece para ajudar a educação dos mais novos são nesse sentido subsidiárias daquela que é a obrigação e missão dos pais.

O perigo que assistimos é a uma desresponsabilização progressiva e assustadora por parte dos pais e uma preponderância excessiva dos programas escolares abrangendo matérias cuja responsabilidade directa não lhes compete. Aos pais cabe a responsabilidade de velarem para que os seus filhos não sejam submetidos a agendas e programas ideológicos contrárias ao sistema de valores em que acreditam. Como já afirmei noutras ocasiões a ideologia do género está cada vez mais disseminada na nossa vida em sociedade e por sua vez nos conteúdos temáticos administrados em diversos sectores do ensino.

A atenção aos conteúdos do que é transmitido aos filhos é cada vez mais uma exigência dos tempos que vivemos. Acredito que o diálogo saudável com os professores assume por isso uma importância fundamental. A disponibilidade para ouvir e clarificar o que é suposto da parte de cada um, sendo aliados na tarefa fundamental da educação. O mais importante não são os resultados em termos de classificação na obtenção de conhecimentos (nem todos poderão ser génios!), mas a consciência que se fez o que estava ao nosso alcance para ajudar o outro a aplicar as suas capacidades.

Os professores têm uma profissão fundamental para a edificação de uma sociedade em que cada um aprende a dar o melhor de si em função dos outros. Acredito que o que fazem deve ser entendido como uma missão. O seu serviço deve ser reconhecido pelos encarregados de educação no compromisso de os ajudarem a fazer o melhor possível para o crescimento saudável e equilibrado dos seus filhos.

As recentes eleições autárquicas, na sequência dos outros actos eleitorais anteriores, revelam uma preocupante falta de compromisso por parte da sociedade. Os constantes níveis de abstenção em que quase metade dos eleitores não exerce o seu dever e direito de votar deve-nos fazer pensar. A responsabilidade é transversal à sociedade, começando no desencanto pelos protagonistas da política e acabando numa visão egoísta e mesquinha em que o “eu” não se interessa pelo “nós”.

A forma como vivemos em sociedade tem muito a ver com a educação que recebemos e na forma como crescemos em maturidade e responsabilidade. O individualismo é uma doença que precisa de ser tratada. Ser pessoa, muito mais que indivíduo, significa capacidade de estar com os outros sem perder a sua identidade e contribuir reciprocamente para o bem de todos.

Preocupa-me muito este desinteresse que se assiste em dimensões essenciais da nossa vida em sociedade, porque esta ausência é facilmente preenchida por quem se quer aproveitar das fragilidades dos outros. Quando existe o vazio o mal apresenta-se com a aparência perversa de bem. É urgente que assumamos as nossas responsabilidades. Exercitemo-nos no compromisso. A verdade é que o bem dos outros depende muito daquilo que estivermos disponíveis a fazer, mesmo que seja pouco o que possamos dar.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1310 - 1 de Outubro de 2021