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Recomeçar!

É tempo de recomeçar!

As notícias do processo de vacinação em Portugal mostram que estamos dentro das percentagens que os especialistas definiram como necessárias para ser atingida a tão desejada protecção e imunidade de grupo. A pandemia revelou-nos a nossa debilidade, mas simultaneamente fez com que aprendêssemos uma resiliência e capacidade de adaptação a uma nova realidade de forma surpreendente.

O desafio que agora se nos coloca é de sabermos recomeçar. Não se trata de regressar ao passado, mas vivermos o presente mais conscientes daquilo que importa preservar e onde queremos investir seriamente as nossas energias. A dispersão em que muitas vezes vivemos é extremamente prejudicial no cuidarmos de quem verdadeiramente importa.

Algumas notas para pensarmos em conjunto:

A importância da família. O estar com os outros, partilhar das suas alegrias e tristezas, acompanhar os filhos nas suas actividades educativas, ser criativos na ocupação do tempo gostando e desejando estar juntos. Estar e cuidar são verbos que precisamos de conjugar mais com quem amamos e partilhamos intimamente a vida. Os nossos entes queridos precisam que nós saibamos dar do nosso tempo e queiramos genuinamente estar com eles. A preocupação com a felicidade do outro vai muito além das seguranças e bem-estar material. Não são as coisas que dão sentido à vida, mas sim as relações que construímos e que nos ensinam a ser mais uns para os outros. É mais exigente e implica maiores sacrifícios, mas de facto é o que todos precisamos. Aproveitemos para recomeçar a fazer da nossa casa um verdadeiro lar.

O compromisso social. A vida em sociedade implica que cada um seja capaz sair do seu egoísmo e interesses mesquinhos e se disponha a fazer o que estiver ao seu alcance pelo bem comum. A lógica do “cada um sabe de si…” é totalmente perniciosa e destruidora porque conduz à ruína de todos. Mais do que ser reivindicativos de direitos sejamos protagonistas de obrigações. O empenho pessoal pelo bem comum é um valor providencial para o nosso estar em sociedade. Mesmo na experiência laboral é fundamental que façamos do trabalho uma oportunidade para fazermos bem aos outros e não nos perdermos na mediocridade e no comodismo de apenas fazer os mínimos que garantam o nosso sustento. Recomeçar para ser sempre mais.

A solidariedade com os mais frágeis e desfavorecidos. À nossa volta existem muitas pessoas que passam necessidade, que precisam do nosso cuidado, do nosso tempo, da nossa ajuda material, ou que simplesmente que não lhes sejamos indiferentes. A indiferença é uma doença terrível que precisamos de vencer para que não percamos a nossa capacidade de ser pessoas. O mal dos outros sempre nos implica a nós, ainda que seja apenas porque não desviamos o olhar e afastamo-nos. É difícil envolver-se e cuidar porque nos desinstala e incomoda, mas é aí que se prova o nosso verdadeiro sentir de humanidade. Recomeçar no aprender a cuidar.

A defesa da vida. A vida deve ser protegida. Não existem vidas que valham mais do que outras. A chamada “cultura da morte” precisa de ser aniquilada. A morte não é a solução para o sofrimento. Quem está em situações de limite de provação e sofrimento precisa que lhe apresentem caminhos de vida. Quando estamos todos envolvidos é possível produzir vacinas para um vírus desconhecido em menos de um ano. É essa capacidade que precisamos de desenvolver, não olhar a custos para poder ajudar quem está em grande tribulação e garantirmos as melhores condições possíveis de vida. Recomeçar a acreditar que muitas vezes é possível o impossível.

Como disse no início, o que importa agora não é o regresso ao passado, mas o recomeçar nestes novos tempos, e estarmos mais conscientes do que cada um pode fazer. O investimento que somos chamados a fazer é na nossa capacidade de sermos melhores pessoas. Não se trata de uma utopia, de meras boas intenções, mas uma necessidade e uma urgência. Hoje a esperança de um mundo melhor conjuga-se com o verbo recomeçar!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1309 - 17 de Setembro de 2021 



“Fazei tudo o que Ele vos disser!”

A Palavra de Deus é viva e eficaz.” (Hb 4, 12) A Igreja alimenta-se da Palavra de Deus e tem a missão de a comunicar. Todas as celebrações sacramentais, e muitos dos momentos de oração, nascem da escuta do Senhor que nos fala nas Sagradas Escrituras. O que escutamos não são teorias abstractas sobre a realidade, nem ideias humanas para transformar o mundo e muito menos preceitos morais desfasados da realidade, mas a sabedoria divina comunicada aos homens, na linguagem que somos capazes de entender, para nos revelar um caminho de plenitude.           

Apesar de já estar acessível a todos nas muitas edições escritas da Bíblia e em diversos meios digitais, muitos dos cristãos apenas a ouvem quando participam nas celebrações sacramentais, nomeadamente na Eucaristia dominical, e mesmo assim quase que valorizam mais a homilia do sacerdote do que a Palavra proclamada em todo mundo. As Escrituras Sagradas são um tesouro, um manancial de graça para a vida. Para as acolher é necessário dar espaço ao Espírito de Deus para que estas possam transformar a vida.

O que escutamos não são textos de gabinete, nem reflexões complexas sobre a divindade, mas o fruto da inspiração do Espírito que se revelou na história e fez conhecer a vontade de Deus nos acontecimentos. O autor bíblico é inspirado para passar a escrito o que na sua vida e na história do povo são as poderosas manifestações de Deus. A Bíblia é composta por 73 livros (46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento), possui diferentes géneros literários, e percorre quase dois mil anos desde a história desde Abraão até à morte do último apóstolo de Jesus.

A beleza desta Palavra e a sua grande virtude é que ao ser de inspiração divina supera todas as contingências humanas, ou seja, nunca podemos dizer que ela é coisa do passado, antiguidade pré-histórica, ou datada de uma época, porque ela se torna sempre actual na vida de quem a escuta e se dispõe a acolhê-la. A verdade é que ela sempre interpela a vida e nos convida a ir mais além, a ultrapassar a mediocridade de uma vida sem sentido, e arriscarmos a viver o Amor de Deus manifestado plenamente em Jesus Cristo.

Há dois Domingos atrás causou escândalo o texto da Carta de São Paulo aos Efésios, porque alguns não aceitaram que na Igreja se pudesse falar de submissão, nomeadamente, das mulheres. A Conferência Episcopal Portuguesa escreveu a esse propósito, muito oportunamente, uma nota (https://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/a-proposito-da-leitura-de-sao-paulo-sobre-as-mulheres/) que recomendo a leitura por ajudar a compreender o texto no seu contexto. Nesse sentido parece-me que o desafio está em sabermos aproveitar esta oportunidade como uma ocasião de crescimento. A Palavra que escutamos é fundamental para uma compreensão integral do homem e da sua acção no mundo.

Os cristãos não vivem de opiniões nascidas de ideologias duvidosas, ou se deixam guiar pelos fazedores de opinião dependentes de fortes interesses políticos ou económicos, mas procuram em cada dia receber o dom do céu para aprender a peregrinar na terra construindo uma sociedade mais justa e fraterna. O que celebramos na Igreja está sempre ligado ao que havemos de fazer no quotidiano da nossa existência. O “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe” com que terminam todas as celebrações litúrgicas expressa essa verdade fundamental: o que ali recebemos de graça é para ser dado a todos com quem partilhamos a aventura da existência.

A sabedoria das Escrituras é fundamental para a nossa vida. No mundo em que tudo parece efémero e vazio, precisamos da verdade que dá consistência e nos faz caminhar firmes, precisamos do Senhor que pode transformar água em vinho (Jo 2, 1-11), se aprendemos como Maria nos ensina a “fazer tudo o que Ele nos disser!”.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1308 - 3 de Setembro de 2021



As lições dos Jogos!

Os Jogos Olímpicos são o maior acontecimento desportivo realizado a nível global. Foram criados há cerca de 2700 anos na Grécia Antiga, como uma espécie de armistício entre lutas territoriais. De quatro em quatro anos, todas as guerras entre as cidades-estado gregas cessavam, as armas eram depostas e trocavam-se os campos de batalha pelo estádio olímpico. Representava uma época sem política, sem batalhas, apenas de culto aos deuses nas provas desportivas.

Charles Pierre Fredy, o barão de Coubertin, é o grande responsável pelo seu renascimento na era moderna, recuperando o espírito e a tradição olímpica grega, numa clara tentativa de minimizar as diferenças sociais e culturais entre nações, aproximando-as através da concórdia, do espírito de conquista e da competição desportiva. O grande símbolo dos jogos é a chama olímpica. A sua volta pelo mundo simboliza a união dos povos, o fim provisório das guerras e a união em torno de um espírito de irmandade humana e desportiva, que se acredita trazer à superfície o que de melhor tem a natureza humana.

Adiados por um ano por causa da crise pandémica, estão a realizar-se na cidade de Tóquio, dentro de circunstâncias muito especiais. Uma delas é o facto de não serem permitidos espectadores a presenciar as provas, a não ser as equipas técnicas e outros desportistas. Os atletas ficam assim sem um dos suportes para poderem realizar as provas, que é o do apoio das multidões que os aplaudem e incentivam.

Apesar disso tem-me impressionado como em muitos casos são os outros competidores de diferentes nações, ainda que adversários, que fazem de claque dos que estão em prova. O espírito de competição não impede que um incentive o outro a fazer o seu melhor, mesmo que isso possa significar não ser o próprio a atingir o melhor resultado. A verdade é que quando um dá o melhor de si mesmo, isso pode ajudar os outros a superarem-se.

Algumas das imagens mais marcantes que nos chegam revelam a faceta mais bela da humanidade, que não é indiferente ao sofrimento do outro: no apoio que recebem aqueles que não desistem, apesar dos seus resultados serem muito fracos em comparação com os demais; na solidariedade e companheirismo com aqueles que têm o infortúnio de se lesionarem (veja-se o caso do nosso Nélson Évora); no conforto que recebem os que ficam aquém dos seus objectivos pelos outros atletas.  

Esforço, compromisso, dedicação, sacrifício, disciplina, renúncia, perseverança, são alguns dos substantivos que marcam a vida destes atletas para poderem alcançar o objectivo de participar nos jogos. Não são palavras sem conteúdo, mas caracterizam a existência de todos aqueles que levam a vida a sério e estão dispostos a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ir "mais rápido”, chegar “mais alto”, e ser cada vez “mais forte"!

O barão de Coubertin alertava os participantes que "O mais importante não é vencer, mas participar!". Nesse sentido, as Olimpíadas podem ser uma grande lição para a vida na medida em que valorizam o melhor que cada um pode dar, ainda que nem todos recebam medalhas. O que importa é aprender a entregar-se totalmente, porque a recompensa que todos recebem está em poder pertencer ao grupo daqueles que estão dispostos a dar tudo.

A história dos jogos talvez só venha a falar dos que conquistaram medalhas e superaram os recordes, da capacidade de organização de uma superestrutura como a que esta implica, de se terem realizado em circunstâncias únicas e adversas. Contudo, esta também se fará na vida de todos aqueles que aproveitaram esta circunstância para valorizar a sua existência e a daqueles que os rodeiam.

Acredito que os Jogos Olímpicos são uma oportunidade para aprendermos lições válidas para a nossa existência. A vida é um dom precioso demais para ser vivida de forma leviana, em busca de prazeres efémeros, desistindo diante das dificuldades e obstáculos, numa demanda egoísta sem ter em atenção as necessidades dos outros. Todos somos diferentes, mas juntos é possível fazermos grandes coisas! Só não será preciso esperar quatro anos, porque podemos começar já!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1307 - 6 de Agosto de 2021



Olhar o arco-íris!

Parabéns à selecção de futebol italiana por ter vencido o Euro 2020 em futebol, mas os grandes vencedores deste evento foram os promotores da ideologia do género com a campanha persistente e agressiva sobre os chamados direitos LGBT. As cores do arco-íris dominaram todas as publicidades exibidas até à exaustão nos painéis em volta dos campos, as braçadeiras dos capitães, os efeitos especiais nos estádios. Não se trata de algo inocente ou bem-intencionado, mas uma campanha feroz e organizada, apoiada em financiamentos infindáveis, e protegida por quase todos os sectores políticos.

Neste momento no mundo ocidental se não promovemos esta chamada igualdade, somos acusados de não defender a liberdade de todos os cidadãos. A posição de países como a Hungria e a Polónia, que limitam os chamados direitos LGBT, é vista como um atentado à liberdade individual dos cidadãos, merecedor de ser punido com sanções económicas e políticas. Nestes países o foco é a defesa das crianças de uma imposição ideológica, e nesse sentido é proibida a divulgação de conteúdos que mostrem ou promovam a sexualidade, a mudança de sexo ou a homossexualidade, a menores de idade.

Podemos discordar da forma, da pouca coerência dos protagonistas em relação a outras matérias, mas o que está em causa é de facto uma matéria importante a nível de princípios. A verdade é que a neutralidade dos estados é uma posição complexa na medida em que desemboca muitas vezes em fundamentalismo ideológico, como se comprova nos dois blocos em que a Europa se dividiu.  

É extremamente perigoso e pernicioso dizer que o respeito pela liberdade das pessoas de terem os comportamentos sexuais que quiserem, implica que se transmita aos mais novos que também eles só são livres se puderem escolher o que desejarem. Esta concepção de liberdade faz depender da vontade pessoal o que é bom e justo, na medida em que se aceite como normal todas as formas e possibilidades de vivência sexual. Ou seja, anulam-se os valores e princípios, esquece-se a história, desvaloriza-se instituições fundamentais como a família e a sua missão de educar os filhos.

A Universidade de Manchester retirou as palavras “mãe”, “marido” ou referências à idade em nome da igualdade, e no que se refere ao “sexo e identidade de género”, são abolidas todas as definições binárias, como mulher/homem por pessoa, senhoras/senhores por toda a gente, mas também mãe/pai por progenitor ou guardião (que em português tem os dois géneros), mulher/marido por companheiro/a (que também tem dois géneros em português) ou irmã/irmão por “sibling” (cuja tradução em português é irmã ou irmão).

O que está em causa a nível cultural é assustador, ao ponto de já nem sabermos como podemos falar. Esta obsessão ideológica fragiliza de forma dramática a vivência em sociedade. A verdade é que não está provado, antes pelo contrário, que esta forma de construir as relações humanas seja mais benéfica para todos. Os custos a curto prazo serão imensos, nomeadamente, com a degradação dos laços entre as pessoas e o aumento da violência, porque esta chamada procura da igualdade não aceita quem seja diferente.

O respeito pelas pessoas, o acolhimento de todos, não implica o estar subjugado a concepções ideológicas que desfiguram a humanidade e põe em causa os princípios e valores fundamentais. É urgente pararmos e pensarmos em que mundo queremos viver. Neste momento parece ser praticamente impossível ir contra esta corrente, contudo acredito e tenho esperança que apesar de tudo ainda é possível.

Na Sagrada Escritura o arco-íris é um símbolo de esperança, é o sinal da mais antiga aliança que Deus fez com a humanidade de que esta jamais seria destruída (Gn 9, 8-17). A beleza das cores que aparecem nas nuvens escuras quando um raio de sol brota no meio da tempestade, recordam-nos a vontade divina de que todos aprendamos a viver em comunhão uns com os outros e com a natureza. Entristece-me que agora ele seja símbolo de um fundamentalismo ideológico com consequências terríveis para toda a humanidade. Pessoalmente, vou continuar a olhar para o arco-íris e alegrar-me com a certeza de que Deus não desiste de nós!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1306 - 16 de Julho de 2021



Amar vale a pena

A solidariedade é fundamental na edificação de uma comunidade humana justa e equilibrada. A atenção às necessidades dos outros desperta em nós as forças do amor e as capacidades para não nos resignarmos ao mal. O cuidar dos fracos, o estar disponível para ajudar quem está em situações de fragilidade, a denúncia das injustiças pela prática do bem, são dinamismos essenciais para nos fazer crescer em humanidade. Uma sociedade centrada nos seus esquemas egoístas, na busca desenfreada de satisfações pessoais, escrava da lógica das aparências, promove a morte e condena-se a si mesma.

O nosso mundo tem exemplos muito belos e valorosos de solidariedade. A fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) é um testemunho extraordinário de dedicação pela causa de tantos que sofrem e são esquecidos pela sociedade. O trabalho que desenvolvem em alguns dos lugares mais dramáticos de miséria e sofrimento é verdadeiramente notável e merece ser apoiado por todas as formas que estejam ao nosso alcance.

O Cardeal Joseph Ratzinger (agora Papa Emérito Bento XVI) descreveu esta organização como “um presente da Providência para o nosso tempo”. Ele afirmou que a Ajuda à Igreja que Sofre se tinha “(…) tornado uma das instituições de caridade católicas mais importantes. (…) Está a trabalhar de uma maneira que vale a pena em todo o mundo. O nosso mundo está faminto e sedento por testemunhas do Senhor ressuscitado, por seres humanos que transmitem a fé em palavras e acções, bem como por seres humanos que estão ao lado daqueles que precisam”.

Em Portugal, as Igrejas Cristãs assinaram memorando para proteção do ambiente e sustentabilidade ecológica numa procura de contribuírem todos para a realização de acções concretas que valorizem o nosso viver em sociedade. O Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, afirmou que, no campo da proteção do ambiente, da ecologia integral, “é possível e necessário” um caminho “com toda a humanidade”. “Este apelo ganhou nova dimensão e nova presença com a encíclica ‘Laudato Si’, aliada também à ‘Fratelli Tutti’.” Neste contexto, salientou que “muitos desses valores passaram para a sociedade vindos do Evangelho” e afirmou que, nestas e em outras causas, “não há dúvidas” que as Igrejas Cristãs têm feito “um caminho muito importante e devem continuar a fazê-lo”. “A fé em comum explicita-se em diversos modos, podemos ir fazendo caminhos que nos levem a uma maior unidade entre nós”.

A solidariedade ajuda a criar pontes, a vencer as barreiras das tristezas passadas, a traçar rumos novos para um futuro melhor. As lógicas do consumismo, do oportunismo carreirista, da obtenção de fins sem olhar aos meios, da exploração dos fracos para satisfazer os poderosos, são chagas abertas no nosso existir como pessoas com consequências nefastas para todos. É urgente acreditar na força do bem, arriscar tudo no amor sem medidas, aventurar-se no ir contra a corrente da mesquinhez, porque só assim poderemos ser verdadeiramente felizes.

O Papa Francisco na mensagem que enviou ao Fórum Globosec Bratislava, que se realizou na Eslováquia sobre o tema ‘Reconstruamos melhor o mundo’, afirmou: "A crise que afectou a todos lembra-nos que ninguém se salva sozinho. A crise abre-nos o caminho para um futuro que reconhece a verdadeira igualdade de cada ser humano: não uma igualdade abstrata, mas concreta, que oferece às pessoas e aos povos oportunidades justas e reais de desenvolvimento". E de forma enérgica concluiu dizendo: “Agir para o desenvolvimento de todos é realizar um trabalho de conversão. E antes de tudo decisões que convertem a morte em vida, as armas em alimento”.

Estamos no mês do Sagrado Coração de Jesus. Jesus oferece-nos o seu amor neste coração que se deixa trespassar para curar todas as feridas que o mal provoca na nossa vida. O seu coração é uma fonte da qual devemos beber para podermos ser portadores de graça uns para os outros.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1305 - 18 de Junho de 2021