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O que importa é a santidade!

Hoje, dia 15 de Outubro, a Igreja celebra a festa de uma mulher extraordinária: Santa Teresa de Jesus. No século XVI realizou uma obra impressionante de reforma da Ordem Carmelita através de uma vida espiritual ímpar reflectida numa actividade intensa e contínua para que todos ao seu redor conhecessem o seu amado Jesus e tudo fizessem para Lhe estar unidos (“A quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta!”). O Papa São Paulo VI declarou-a, juntamente com Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja. As primeiras mulheres da história a terem esse título.

No passado dia 10 de Outubro foi beatificado em Assis um jovem que em 2006 apenas com 15 anos morreu vítima de uma leucemia fulminante: Carlo Acutis. A sua curta passagem neste mundo fica marcada pela simplicidade, pela alegria, por um intenso amor a Jesus, o seu grande amigo, ao qual se unia na celebração diária da Eucaristia (“a sua autoestrada para o céu”), na Adoração Eucarística e na confissão frequente. Muitos consideram-no já o padroeiro da internet, pela sua genialidade na programação informática, e por utilizá-la como meio privilegiado de evangelização. 

A santidade é a manifestação da grandeza de Deus na vida dos simples. Almas que se deixam tocar pela beleza do amor divino e são por Ele transformadas para poderem mudar o mundo. São João Paulo II repetia, insistentemente, aos jovens: “Não tenhais medo de ser santos. Este mundo precisa de santos”. A nossa maior carência é de sentido, de podermos experimentar a maravilha da vida iluminada pela graça, porque só dessa forma ela terá a densidade de uma existência plena. O Beato Carlo interpelava quem partilhava da sua vida, e agora a todos nós, “Todos nascem originais mas muitos morrem como fotocópias!

Aprender a rezar é fundamental para saber viver. Teresa falava com Jesus numa intimidade de amor tão intensa que muitas vezes era encontrada a levitar na Igreja onde estava a rezar. Para ela rezar “ é estar muitas vezes a sós, tratando de amizade, com quem sabemos que nos ama”, é uma relação que dá vida, porque a ilumina, nos capacita para o discernimento do caminho a seguir, das opções a tomar, e das entregas que devemos fazer.  

Carlo Acutis descobriu a importância da graça, porque a sua meta era o infinito, o poder ir para céu, viver a plenitude de Deus e, por isso, procurava quase semanalmente o sacramento da reconciliação porque como dizia: “assim como o balão para subir, ele precisa de descarregar o peso, também a alma para subir ao céu precisa de livrar-se de pequenos pesos, que são os pecados veniais”. Teresa com a sabedoria de quem conhece o que realmente importa dizia às suas irmãs: “O Senhor não olha tanto para a grandeza das nossas obras, mas o amor com que são feitas”. 

As suas vidas são repletas. A importância que tem para nós é de serem modelos, testemunhas do que é a santidade de Deus manifestada na vida. Os santos mostram-nos o sentido, o caminho que percorreram nas encruzilhadas do mundo sem deixarem de olhar para o Senhor que os chamou à vida.

A tristeza é olhar voltado para si, a felicidade é o olhar voltado para Deus” repetia sem se cansar o jovem beato. “Deus tem cuidado dos nossos interesses muito mais do que nós mesmos, sabendo o que convém a cada um” ensinava a Santa incansável na entrega da sua vida ao serviço da Igreja. 

Teresa e Carlo mostram-nos como que o importa na vida é a santidade. Aprender o lugar que Deus nos destinou e todos os dias suplicar-Lhe a graça para levar por diante a missão que nos está destinada. Num mundo em que tudo é passageiro e fugaz, frágil e efémero, descobrir o que perdura e em que vale a pena investir a vida. Impressiona-me como se corre atrás de modas, de tendências culturais, sem nos questionarmos sobre o que é de facto importante para nós, e para quem connosco partilha esta maravilhosa aventura da existência.

Os santos escolheram a melhor parte que jamais lhes será tirada!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1289 - 16 de Outubro de 2020



O poder da palavra!

A palavra é uma realidade fundamental da nossa existência, porque é através dela que grande parte da nossa comunicação se faz, sendo é uma das formas mais eficazes para expressarmos o nosso pensar e sentir. Acho sempre muito bonito a ansiedade com que os pais aguardam qual vai ser a primeira palavra articulada pelos seus filhos. É um sinal de que eles estão a crescer e aprenderam a escutar.

A nossa vida é constituída pelas muitas relações que vamos desenvolvendo, mas só aprendemos a confiar em alguém quando esta é uma “pessoa de palavra”. A palavra tem valor se é verdade e corresponde, de facto, à realidade, porque senão pode ser caminho de perdição e engano.

A Sagrada Escritura afirma que toda a obra da criação acontece pela Palavra: Deus fala e a vida acontece. São João, no seu prólogo, apresenta a vinda de Jesus ao mundo como a encarnação da Verbo, a Palavra que dá vida. A Virgem Maria escutou a palavra do anjo, acreditou nela, e no seu seio a vida divina se formou. São Paulo diz ao seu companheiro e discípulo Timóteo: “toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a obra boa”. (2 Tm 3, 16-17)

Hoje, 30 de Setembro, a Igreja celebra a festa de um grande Doutor da Igreja, São Jerónimo, que no século IV, com a imprescindível colaboração de santas mulheres de romanas (na sacristia da Igreja de Santo António temos as pinturas da mãe e filha, S. Paula e S. Eustóquia, obras belíssimas da nossa Josefa de Óbidos) fez a tradução da Bíblia para latim. Como refere o Papa Francisco na sua mais recente Carta Apostólica no XVI centenário da morte deste santo: “o seu grande amor a Cristo ramifica-se, como um rio em muitos canais, na sua obra de incansável estudioso, tradutor, exegeta, profundo conhecedor e apaixonado divulgador da Sagrada Escritura; na sua obra de intérprete primoroso dos textos bíblicos; de defensor ardente e por vezes impetuoso da verdade cristã; de eremita asceta e intransigente, bem como de sábia guia espiritual, na sua generosidade e ternura.” Jerónimo é de verdade um homem da Palavra, e por isso fez tão bom uso das palavras. Aprender com ele far-nos-á certamente muito bem.

Neste mesmo dia aconteceu o primeiro debate entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos da América. Daquilo que pude assistir impressionou-me o baixíssimo nível dos participantes, a pobreza das palavras, o recurso permanente a insultos e a acusações, onde o que importava era apenas o denegrir o outro num total desprezo pela verdade. Nada de bom pode acontecer quando a intenção do que dizemos é apenas atingir o outro, ferir, humilhar, escarnecer, sem o mínimo de respeito pelo que nos faz ser pessoas. De facto, a palavra pode ser instrumento de proximidade e criar confiança, ou ser uma arma de arremesso para gerar a destruição do outro. E dessa forma nunca pode haver vencedores, todos perdem. Infelizmente isto não acontece só nos EUA.

O nível de educação de alguém pode ser avaliado pela forma como essa pessoa faz uso das palavras, e entra em relação com o outro, ou seja, como comunica e se comunica. É urgente aprendermos a usá-las para fazer bem. Disse alguém: “Quando não tiveres nada de bom para dizer, então cala-te!”. Impressiona como tantas vezes as palavras só servem para fazer mal, quando tanto bem se pode fazer. Quando cresci ensinaram-me a reconhecer e a evitar as palavras feias, porque estas não serviam para nada. Mais tarde aprendi que as palavras tinham muito poder, sobretudo, a Palavra de Deus da qual sou indigno servidor.

A nossa vida precisa de beleza. As nossas relações só serão estáveis e duradoiras se as nossas palavras forem o reflexo da verdade e do bem que desejamos para nós e para os outros. As memórias mais significativas que guardamos têm muitas vezes origem em algo que nos disseram e se revelou decisivo para o nosso crescimento como pessoa. A Palavra tem, de facto, muito poder, a sabedoria está em saber usá-lo para bem de todos.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1288 - 2 de Outubro de 2020



Voltar à Casa do Pai

A pandemia originou uma situação única nas nossas vidas. Durante meses ficámos impedidos de nos encontrarmos nos espaços públicos e ficámos com a nossa existência em suspenso sem sabermos bem o que fazer. O virtual tornou-se a resposta imediata, contudo, descobrimos o que antes parecia esquecido ou pelo menos pouco valorizado: nada substitui a realidade do encontro físico.

Para quem tem fé uma das ausências mais difíceis de suportar foi a impossibilidade de nos reunirmos para celebrar a liturgia e, especialmente, a Eucaristia. A verdade é que, como refere o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica sobre a celebração da liturgia durante e após a pandemia da COVID-19, “Conscientes do facto de que Deus jamais abandona a humanidade que criou e que até as provações mais duras podem dar frutos de graça, aceitamos a distância do altar do Senhor como um tempo de jejum eucarístico, útil para nos fazer redescobrir a sua importância vital, a sua beleza e preciosidade incomensurável”.  

Agora é tempo de voltar! Temos de reaprender a estar juntos! As normas de higiene e segurança são uma condição para que esse encontro aconteça com o menor risco possível. Por enquanto estamos muito limitados no contacto físico, mas é possível o diálogo e a partilha de alguns momentos da vida em comunidade, nomeadamente, os mais básicos como a escola, as actividades laborais, e alguns espaços de lazer dentro de determinados limites temporais.

A Igreja tem uma missão insubstituível porque o alimento da alma é fundamental para o equilíbrio de todo o corpo. Como refere o Cardeal Sarah, “é preciso voltar à Eucaristia com o coração purificado, com um renovado maravilhamento, com um desejo acrescido de encontrar o Senhor, de estar com Ele, de o receber para o levar aos irmãos com o testemunho de uma vida plena de fé, amor e esperança”. Nada substitui a participação física na liturgia, porque a vontade de Jesus é que ao estarmos juntos, Ele se faça presente no meio de nós. Também, por isso, é tão importante termos conseguido reabrir ao culto a Igreja Matriz da Lourinhã. (ver texto explicativo na página 27)

O tempo que estamos a viver é um desafio a não nos deixarmos vencer pelo medo, pela descoberta da nossa imensa fragilidade, e sermos responsáveis e mais conscientes dos nossos actos. A exigência está em cuidar do bem de todos porque é isso que nos faz ser pessoas. É necessário estabelecermos prioridades e ter o discernimento para fazer o que é de facto importante.

Hoje já não é possível viver na dispersão do tempo em inúmeras actividades, é preciso saber escolher o que é essencial para nós e para os nossos. Uma das dimensões fundamentais para quem se diz cristão é a educação dos filhos na transmissão da fé. A catequese paroquial é uma oferta da comunidade dos fiéis, que colaboram com os pais naquela que é a sua missão. Com as responsáveis da catequese procurámos avaliar as consequências do confinamento na vida de fé das nossas crianças e adolescentes. A conclusão foi de que, para uma grande maioria, a vida espiritual ficou suspensa a todos os níveis. Por isso, é preciso encontrarmos juntos as soluções para este “desaparecimento” de Deus da existência quotidiana.

A resposta passará por um compromisso renovado de catequistas, pais e toda a comunidade cristã, no sentido de nos ajudarmos mutuamente. As necessidades e fragilidades dos outros devem levar-nos a uma nova criatividade do Espírito para podermos irmos ao seu encontro. O Senhor não desiste, e nós apoiados na sua Graça havemos de aprender os seus caminhos neste tempo novo.

Na referida Carta é dito com muita propriedade: “A Igreja continuará a defender a pessoa humana na sua totalidade. Ela testemunha a esperança, convida a confiar em Deus, recorda que a existência terrena é importante mas muito mais importante é a vida eterna: partilhar a própria vida de Deus por toda a eternidade é a nossa meta, a nossa vocação”.

Por tudo isto voltemos com alegria à Casa do Pai que sempre nos espera, mesmo quando nos perdemos e nos esquecemos d’Ele.

O seu Amor é sem limites!

Pe. Ricardo Franco

Edição 1287 - 18 de Setembro de 2020



Despertar consciências!

O caso de dois irmãos de Vila Nova de Famalicão, que, por opção dos pais, faltaram a todas as aulas da disciplina de Educação para a Cidadania por considerarem que as matérias ali apresentadas, além de serem contrárias aos seus valores, são da sua responsabilidade enquanto encarregados da educação dos seus filhos, é sintomático da forma agressiva e dissimulada como actuam os defensores da Ideologia do Género.  

Hoje assistimos a um feroz ataque ideológico perpetrado pelos defensores da ideologia do género, que querem impor de forma violenta e impiedosa uma concepção de pessoa que rejeita todos os condicionalismos da natureza e da cultura. Não tenhamos dúvidas de que os conteúdos desta disciplina são amplamente moldados por esta visão antropológica, como referem muitos dos intervenientes na sua leccionação. É um facto de que neste momento há um encapotamento de bem e da intenção subjacente. Estes ideólogos impõem as suas posições para que seja de tal forma normal que ninguém ouse questionar aquilo que dizem. Chegam ao cúmulo de defender a sua posição dizendo que estes pais têm uma visão ideológica deficiente e retrógrada que os impede de tomar a decisão correcta para os seus filhos!

O facto é que os pais dos dois alunos “oportuna e repetidamente comunicaram às autoridades escolares a sua objecção de consciência quanto à frequência daquela disciplina pelos seus filhos”, que inicialmente foi aceite pelo Conselho de Turma, mas rejeitado pelo Ministério da Educação, em data posterior, exigindo este que os alunos frequentem as aulas em falta “alegando que a disciplina de Educação para a Cidadania é obrigatória, não sendo diferente ‘nem de Matemática, nem de História nem de Educação Física’”.

Este caso fez disparar o alarme e mais de 100 personalidades portuguesas assinaram um manifesto contra a obrigatoriedade da disciplina de Educação para a Cidadania e o Desenvolvimento (ECD) nas escolas, considerando que os pais têm, neste caso, direito à “objecção de consciência”. Mário Pinto, um dos promotores da iniciativa, considera que não há aqui uma questão legal, mas uma questão de prática. “A constituição é clara e a lei de bases é clara e não pode haver nenhuma outra lei que desobedeça à lei de bases, porque a lei de bases do sistema educativo é uma lei de valor reforçado”, afirma este professor, para quem o que está em causa é uma desobediência à lei. “Se a lei de bases diz que, nesta área, os pais têm direito à objecção de consciência, a questão legal está clara. Não há uma questão legal, há uma questão de cumprir a lei. Há é uma questão de obediência à lei”, defende. E conclui: “Não é preciso mexer nas leis, é preciso é mexer nas práticas”.

É urgente tomar consciência do que está em causa. Para quem defende esta ideologia até os direitos básicos previstos na lei e na Declaração Universal dos Direitos Humanos não são válidos. Estes filhos tiveram pais que os souberam defender, mas quantos, porventura de forma inocente e inconsciente, permitiram e permitem que os seus filhos sejam sujeitos a esta violência ideológica? Continuaremos a assistir impávidos?

Estamos cientes que o que está em causa é toda uma concepção do ser humano baseada na mentira da suposta autoconsciência? Basta olhar para alguns países e conteúdos de séries da televisão para vermos como a depravação moral chegará à legalização da pedofilia e outras práticas de abuso. Dentro de em breve a legalização da morte a pedido voltará a estar na ordem do dia da Assembleia da República. Podemos ser um povo de brandos costumes, mas é fundamental que não estejamos adormecidos numa inércia que nos incapacita. 

Ao iniciar um novo ano escolar, e neste tempo novo em que vivemos, é importante que os pais e todos enquanto responsáveis pela sociedade em que queremos viver, assumamos a nossa responsabilidade na defesa dos valores fundamentais que nos fazem ser pessoas. O Estado tem a missão de governar gerindo os impostos que pagamos de forma a garantir os direitos fundamentais para todos. A Escola serve para dar instrução de conteúdos contribuindo para a educação global das crianças adolescentes e jovens numa dimensão supletiva em relação aos pais.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1286 - 4 de Setembro de 2020



Pôr a conversa em dia!

Os pais ao cuidarem dos filhos procuram garantir-lhes a melhor educação possível de modo a terem os instrumentos necessários para enfrentarem os desafios constantes da existência e preparados para todas as surpresas do futuro. A família é um espaço de aprendizagem fundamental. As mais belas memórias fazemos com aqueles que nos amam e nos ensinam a amar.

A grande herança que os pais podem deixar aos filhos não são contas bancárias recheadas ou quaisquer outros bens materiais, mas são os valores e as experiências que os tornem pessoas capazes de honrarem com a vida o bem que lhes foi transmitido. A vida desbaratada numa existência fútil de procura de prazeres ou de interesses egoístas é uma tragédia que devemos acautelar quando cuidamos dos que nos foram confiados.

Cuidar dos espaços de encontro e de partilha da família é muito importante. Entristece-me que muitas famílias já nem se sentem juntos à mesa para tomar as refeições. O ritmo muito acelerado da nossa existência, os horários desfasados, a pouca disponibilidade para corrigir as impertinências normais dos mais novos, a dependência cega dos telemóveis e outros ‘gadgets’ tecnológicos, fazem que muitas vezes numa mesma casa cada um acabe por comer isoladamente diante de um qualquer écran e sem referência ao outro.

O respeito por regras e por hábitos de convívio é fundamental para um crescimento saudável, para que nos conheçamos e possamos partilhar as pequenas e grandes coisas da vida. Falamos pouco, não gastamos tempo uns com os outros, e facilmente passamos a ser estranhos a viver debaixo do mesmo tecto. É verdade que não é fácil, muitas vezes o outro contraria-nos, temos dificuldade em nos entender, mas crescer é fazer juntos o caminho para superar as diferenças e aprender a suportar-nos nas fragilidades de cada um.

Ouvimos dizer que os grandes negócios fazem-se à mesa em redor de uma bela refeição, ora não existe nada mais importante para tratar do que crescermos como família. O Evangelho refere que umas das actividades mais constantes de Jesus era sentar-se à mesa com quem o convidava a partilhar da sua intimidade, e nesse contexto anuncia a Boa Nova do Amor de Deus com palavras e com gestos que ficaram na memória dos convivas dessa refeição. O seu último momento com os discípulos acontece na Ceia da Páscoa e aí dá-lhes a síntese de toda a sua vida. A Eucaristia é de verdade uma refeição com duas mesas: a da Palavra e a Corpo e Sangue de Jesus.

Quantas mães não anseiam pela visita dos filhos à casa onde cresceram e como esse momento é sempre ocasião para preparar uma refeição melhorada. É à mesa que contam as novidades e de forma simples e espontânea partilham da alegria de serem uma família. Infelizmente parece que também isto se torna raro. Talvez seja providencial, embora com custos tremendos para quem vive dos espectáculos e da organização de festas, que uma das coisas que nos é permitido fazer neste tempo de pandemia é sentarmo-nos à mesa com os nossos familiares mais próximos. Parece-me totalmente insensato que não aproveitemos para pôr as conversas em dia.

Aprendamos a disfrutar da vida uns dos outros cultivando a alegria de partilhar a presença, de nos ouvirmos, de gastarmos tempo juntos, porventura até com algum jogo que nos ajude a entrar em diálogo ou simplesmente a rir pelo bom que é sermos família. Não sabemos quanto tempo temos de vida mas aquele que nos é dado devemos cuidar e valorizar!

Termino com uma interpelação do Papa Francisco: “Quero sublinhar o quão importante é para as famílias perguntarem-se muitas vezes se vivem baseadas no amor, para o amor e em amor. Na prática, isso significa dar-se, perdoar, não perder a paciência, antecipar o outro, respeitando. Quanto melhor seria a vida familiar se todos os dias vivêssemos de acordo com as palavras "por favor", "obrigado" e "desculpa". Todos os dias experimentamos a fragilidade e a fraqueza e, portanto, todos nós, famílias e pastores, precisamos de renovada humildade que cria o desejo de nos formarmos, educarmos e sermos educados, ajudarmos e sermos ajudados, acompanharmos, discernirmos e integrarmos todos os homens de boa vontade”.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1285 - 7 de Agosto de 2020