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A vista de um ponto!

Nós vivemos num mundo de muitos contrastes. As diferenças entre as culturas são à primeira vista uma riqueza, mas facilmente se podem tornar motivo de escândalo e de recriminação fácil. O olhar que temos sobre os outros está condicionado pela nossa forma de pensar a realidade e a nossa própria mundividência. Há muitos anos ensinaram-me que “um ponto de vista muitas vezes não é coincidente com a vista de um ponto”, e que, por isso, não é correcto exigir ou mesmo esperar que os outros olhem a realidade da mesma forma que nós.

A cultura ocidental foi construída sobre uma série de valores que, apesar de negado por muitos, tem uma matriz cristã na sua transmissão ao longo de uma história de séculos. Mas também é igualmente verdade que, nos últimos tempos, a chamada “universalidade” destes mesmos valores é colocada em causa por muitos que defendem a preponderância da subjectividade sobre qualquer imposição social.

A escolha do Catar para acolher a realização do Mundial de Futebol esteve desde o primeiro momento envolta em muita polémica e é fácil de perceber que, apesar dos argumentos apresentados, o factor decisivo foi claramente económico, assim como já tinha sido aquando da escolha da Rússia em 2018. Parece-me, por isso, que a partir do momento em que a escolha foi aceite pelos organismos internacionais não é coerente que se ponham condições a posteriori que antes não tiveram relevância para a decisão final.

As polémicas que agora fazem notícia não são questões de circunstância ou de um momento, porque têm a ver com a identidade cultural da nação. Trata-se um país muçulmano cujo sistema legal é uma mistura do direito civil e do direito islâmico e, a verdade é que, a cultura islâmica é em muitas matérias extremamente divergente e mesmo contrária em relação à da maioria dos países ocidentais.

Uma sociedade em que as mulheres estão sob tutela masculina, como se viu na saída dos militares do Iraque ou do que se sucede agora no Irão; a rejeição de todos os comportamentos designados pela sigla LGBTQIA+, movimento que apesar do seu poderio económico não é capaz de se impor nestes países; a proibição das bebidas alcoólicas, enquanto lei religiosa ancestral; a situação de operários em situação análoga à escravidão, típica de um país que nunca assinou a declaração dos direitos humanos; entre muitas outras como a prática das punições corporais, ou a existência extremamente condicionada de outras religiões, revelam diferenças culturais profundas, que não são anuladas por decreto, e muito menos pela vontade daqueles que, se por um lado defendem a subjectividade da autodeterminação a todo o custo, por outro rejeitam qualquer expressão cultural que pense e aja de forma diferente.

Considero importante que os grandes eventos que se realizam a nível mundial possam servir como pontes de diálogo e sejam instrumentos de partilha das riquezas de cada um e de disponibilidade para poder acontecer a ajuda mútua em caso de necessidade. A Jornada Mundial da Juventude a acontecer em Portugal/Lisboa no próximo ano de 2023 é de certeza um dos melhores exemplos que conheço pela experiência que tenho de já ter estado quatro vezes nestas Jornadas com milhões de jovens de todo o mundo. Talvez um Mundial de Futebol possa ter um efeito semelhante, mas nunca na lógica da condenação intransigente de quem só aceita o outro que olha a realidade da mesma forma.

A Igreja está a viver o tempo do Advento e neste primeiro Domingo escutámos a promessa do profeta Isaías de que o Senhor quer, de facto, transformar as nossas relações: «Ele julgará as nações, e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices.» A intervenção divina na história não é mágica nem ditatorial, mas a sua Palavra é luz para quem quer sair das trevas, das contradições de uma existência mesquinha, e acredita que vale a pena aprender a olhar a realidade sobre outro ponto de vista. Será a grande vitória da nossa vida, não deixar que o mal triunfe e aprender as vencer as injustiças pela força do Amor.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1336 - 2 de Dezembro de 2022



O poder das palavras!

Há uns anos contaram-me uma história que aqui procuro reproduzir: «São Felipe Néri era um padre conhecido pelas penitências criativas que dava aos seus fiéis. Certa vez uma mulher veio confessar-se dizendo que cometia o pecado de falar mal do próximo. Disse ainda que depois que se confessava acabava sempre por cair novamente no mesmo pecado. São Felipe Néri ouviu atentamente a confissão da mulher e deu-lhe a seguinte penitência: ela deveria trazer-lhe uma galinha e depená-la enquanto caminhasse pelas ruas de Roma.

Apesar de achar muito estranho a penitência a mulher obedeceu ao confessor. Noutro dia ela percorreu as ruas de Roma depenando uma galinha, e assim que chegou junto do padre com a galinha depenada perguntou-lhe o que mais teria de fazer. São Felipe disse-lhe então: “Trouxeste a galinha depenada, mas eu também preciso das penas. Agora, volta por todas as ruas pelas quais caminhaste e recolhe uma a uma as penas da galinha. E presta atenção, não deixes sequer uma pena esquecida”. A mulher, espantada, disse: “Mas, padre, isso é impossível! Com o vento e toda agitação da cidade nunca poderei recolher todas as penas!”. Respondeu o Santo: “Eu sei, minha filha. Espero que tu tenhas compreendido a lição. A tua maledicência assemelha-se a essas penas. As palavras ditas sem compaixão espalham-se e depois não há como recolhê-las.”»

Impressiona-me a impunidade com que actualmente se podem dizer as maiores barbaridades sem que isso tenha consequências práticas a não ser o mal que se faz aos outros. Em nome da liberdade de expressão é possível dizer quase tudo sem esperar grandes repercussões. As redes sociais ampliaram este fenómeno de tal forma que se torna terrivelmente nocivo e perigoso para a vida em sociedade. As palavras escritas ou proferidas sem recta intenção e de forma insensata facilmente se tornam motivo de violência e injustiças.

O Apóstolo São Tiago, na única carta que nos deixou, escreve sobre a importância do domínio da língua de uma forma incisiva (Tg 3, 1-12) e alerta os cristãos para os perigos: «Vede como um pequeno fogo pode incendiar uma grande floresta! Assim também a língua é fogo, é um mundo de iniquidade; entre os nossos membros, é ela que contamina todo o corpo e, inflamada pelo Inferno, incendeia o curso da nossa existência.» (Tg 3, 5c-6) Não será apenas por isto que a língua é dos primeiros órgãos a corromper-se depois da morte, mas a verdade é que muitas vezes esta foi instrumento de destruição e desgraça pelo veneno que destilou à sua volta.

Acredito que para se poder falar é fundamental aprender a ouvir, e se conheçam os factos sobre o assunto que queremos expressar uma opinião. Mais do que dizer qualquer coisa sobre tudo, é importante que se saiba falar bem e com propriedade do que é mais importante para nós e possa fazer bem aos outros. O Papa Francisco alerta, imensas vezes, para os perigos da maledicência, de forma muito veemente: «os coscuvilheiros são pessoas que matam os outros, porque a língua mata, é como uma faca, tenha cuidado, as pessoas coscuvilheiras são terroristas, atiram a bomba aos outros e vão embora» e alerta para o facto terrível de que «é grave viver com comunicações não autênticas, porque impedem relações recíprocas e amor ao próximo, porque onde há uma mentira, não há amor

Há muito tempo ensinaram-me uma coisa muito simples e que me tem sido muito útil para poder viver em sociedade de uma forma equilibrada e justa: “quando apontas o dedo a alguém, lembra-te de que tens sempre pelo menos três a apontar para ti!”. A autocrítica ajuda-nos a reflectir melhor na forma como nos dirigimos aos outros, ainda que estejamos plenamente convencidos de que os seus actos são incorrectos. De uma coisa podemos ter a certeza: não é no dizer o que se quer sem atender às consequências que estamos a contribuir para o bem de alguém.

As palavras têm poder, a sabedoria está em saber usá-lo para fazer o bem, construir pontes e criar unidade entre as pessoas. É mais fácil dizer mal, mas esse não é certamente o caminho que nos fará felizes.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1335 - 18 de Novembro de 2022



O poder da Misericórdia!

No dia 2 de Novembro a Igreja faz a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, na qual como Mãe piedosa intercede diante de Deus pelas almas de todos os que nos precederam, marcados com o sinal da fé (fiéis) cuja função terminou neste mundo (defuntos) e que agora dormem na esperança da ressurreição, bem como por todos os outros falecidos, cuja fé só Deus conhece, a fim de que, purificados de toda a mancha do pecado, sejam associados aos cidadãos celestes, para poderem gozar da visão da felicidade eterna.

A esperança cristã é uma virtude teologal que se alimenta da certeza de que a Páscoa de Jesus nos abre o céu, ou seja, a gozarmos a bem-aventurança eterna na presença de Deus. São Paulo, naquele que é o escrito mais antigo do Novo Testamento, afirma esta certeza que animava os que tinham aderido a Cristo: “Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram.” (1 Tes 4, 13-14)

A oração pelos que morreram funda-se nesta esperança e na certeza de que a misericórdia de Deus que conhecemos em Cristo é sempre maior que a evidência terrível da morte. O costume de rezar pelos falecidos é antiguíssimo como atesta o Segundo Livro dos Macabeus, que indica como os judeus piedosamente suplicavam por seus entes queridos. (Cf. 2 Mc 12, 39-45) As catacumbas onde estão sepultados os primeiros cristãos estão cheias de inscrições com orações pelas almas dos mortos. Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, ao falecer perto de Roma, enquanto viajava para África, assim falava aos dois filhos que a acompanhavam: “Ponde meu corpo em qualquer lugar, e não vos preocupeis com ele. Só vos peço que, no altar de Deus, vos lembreis de mim, onde quer que estiveres”. Santo Tomás de Aquino afirma que é inútil rezar tanto pelas almas que estão no Céu, tanto pelas que estão no inferno, já que ambas estão no seu destino definitivo. Se a Igreja sempre rezou pelas almas dos mortos, então, é porque sempre acreditou que, após a morte, nem todas as pessoas salvas estão prontas para contemplar Deus face a face.

Neste dia somos confrontados com a nossa finitude ao fazermos memória dos que morreram antes de nós, mas sobretudo com a importância de nos prepararmos para o dia em que formos chamados deste mundo. Jesus no Evangelho advertiu: “Porque não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba e venha à luz. Vede, pois, como ouvis, porque àquele que tiver, ser-lhe-á dado; mas àquele que não tiver, ser-lhe-á tirado mesmo o que julga possuir.” (Lc 8, 17-18)

A nossa existência é marcada por muitos acontecimentos, diferentes decisões e a necessidade de tomar opções consoante as circunstâncias, muitas são memórias felizes e agradecidas, outras exigem de nós o desejo e a vontade de reconstruir e reconciliar o mal vivido ou praticado. Mandar as coisas para detrás das costas é meio caminho para chocarmos com elas quando menos esperarmos. Não é fácil, mas é fundamental que aprendamos a curar os males da nossa vida que ferem profundamente a nossa alma e nos incapacitam a viver bem uns com os outros. Ódios, ressentimentos, culpas, mentiras e hipocrisias são doenças que só podem ser curadas pelo arrependimento e perdão.

É muito interessante que a sétima obra de misericórdia espiritual seja: “rezar por vivos e defuntos”. Porque como recomenda São Paulo é fundamental orar por todos, sem distinção, pois “Ele quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade". (ver 1 Tim 2, 2-3). Se é verdade que os defuntos que estão no Purgatório dependem das nossas orações e é uma boa obra rezar por eles para que fiquem livres dos seus pecados, não é menos importante que nos unamos na súplica por tantos que neste mundo optam pelo mal e desistem de alcançar a vida eterna. Ao contrário do que muitos dizem o remédio para tudo e inclusive para a morte é o Amor de Deus que conhecemos em Jesus. Basta querer porque nos é dado de graça.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1334 - 4 de Novembro de 2022



A terrível mentira!

A liberdade é um valor essencial para podermos viver em sociedade numa relação equilibrada com quem nos rodeia. A nossa época exalta a liberdade ao ponto de esta ser o critério do que é bem ou mal, ou então, a liberdade sobrepõe-se à moralidade na medida em que a satisfação pessoal é o que importa desde que não prejudique gravemente o outro. Trata-se um caminho extremamente perigoso porque o bem deixa de ser um valor universal, mas uma realidade subjectiva totalmente dependente do interesse da pessoa.

São João Paulo II afirma na sua brilhante Carta Encíclica «O Esplendor da Verdade» que “uma liberdade, que pretenda ser absoluta, acaba por tratar o corpo humano como um dado bruto, desprovido de significados e de valores morais enquanto aquela não o tiver moldado com o seu projecto. Consequentemente, a natureza humana e o corpo aparecem como pressupostos ou preliminares, materialmente necessários para a opção da liberdade, mas extrínsecos à pessoa, ao sujeito e ao acto humano.” (nº 48)

Anos mais tarde ao iniciar o seu magistério petrino o Papa Bento XVI alertava que se estava a constituir “uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.” O Papa Francisco, há poucos meses numa audiência geral ensinava os fiéis dizendo “a liberdade não significa ‘fazer o que apetece’, ou seja, uma liberdade baseada no instinto. Este tipo de liberdade, sem finalidades nem referências, seria uma liberdade vazia, uma liberdade de circo, que deixa um vazio interior. Quantas vezes, depois de termos seguido apenas o nosso instinto, nos damos conta de que sentimos um grande vazio interior e que abusamos do tesouro da nossa liberdade, da beleza de poder escolher o verdadeiro bem para nós mesmos e para os demais”.

O engano do príncipe das trevas é fazer-nos crer nesta mentira de que a felicidade está numa liberdade sem limites segundo o capricho de cada um, mas que acaba por se tornar numa escravidão terrível da qual é quase impossível sair-se sozinho. Fazer o que se quer parece uma receita de felicidade feita à medida, contudo, torna-se facilmente num caminho de desilusão e frustração porque toda a satisfação que se obtém esgota-se e esfuma-se muito rapidamente. Acredito que só somos livres quando aprendemos a amar e descobrimos que não há maior satisfação do que fazer os outros felizes. Não é certamente um caminho fácil, mas é o único que vale a pena percorrer e investir toda a nossa vida.  

Há dias enviaram-me uma notícia com a seguinte mensagem anexada: “Cada vez precisamos de rezar mais!”. Diz a notícia: «Foi entregue no final de setembro (em plena discussão do orçamento do estado!!!) ao Parlamento por um conjunto de 35 deputados do PS o Projeto de Lei nº 332/XV, que pretende estabelecer o quadro de medidas por que as escolas deverão orientar-se para a implementação da Lei n.º 38/2018, sobre o direito à autodeterminação da identidade de género. De forma a garantir o “direito à autodeterminação da identidade e expressão de género, bem como das características sexuais em ambiente escolar”. As crianças e jovens devem ver o seu “direito a utilizar o nome autoatribuído” reconhecido e, mais do que isso, defendido, cabendo às escolas a emissão de “orientações” neste sentido. Com o mesmo objetivo, não de apenas “assegurar o respeito pela autonomia, privacidade e autodeterminação das crianças e jovens”, mas também de combater a “discriminação em função da identidade e expressão de género em meio escolar”, determina ainda que, nos casos das escolas em que exista a obrigatoriedade do uso de uniforme ou de determinadas peças de roupa em função do género, essa escolha possa ser feita pelos alunos, em função daquilo com que se identificam. O mesmo princípio é válido para a escolha de casas de banho e de balneários. Num esforço para “garantir que a escola seja um espaço de liberdade e respeito, livre de qualquer pressão, agressão ou discriminação”.»

Assustador! Terrível! Diabólico! São adjectivos que me surgem no imediato. Quem quer continuar a acreditar na bondade e carácter inofensivo da ideologia do género pode notar claramente que esta é uma verdadeira ditadura ideológica que não poupa ninguém, nem as crianças! Não deixa de ser simbólico que quando fiz uma pesquisa no Google sobre notícias com o termo autodeterminação juntamente com a deste projecto lei aparecem as da anexação por parte da Rússia de cidades importantes da Ucrânia. O poder do mal assume diferentes formas, mas tem sempre a mesma finalidade a destruição do homem.

É tempo de agir e lutar contra quem nos quer tanto mal! 

Pe. Ricardo Franco
Edição 1333 - 20 de Outubro de 2022



A prioridade da Educação

Estes dias falei com duas das minhas sobrinhas sobre o início do ano escolar e fiquei feliz com o seu entusiasmo e como são bonitas as suas expectativas apesar de tudo ainda ser muito recente nas suas vidas. Aprender é sempre uma aventura e proporciona a abertura de formas diferentes de olhar a realidade pessoal e o mundo ao mesmo tempo que desenvolve as capacidades para poder interagir e ser membro activo da sociedade.

Ao mesmo tempo fiquei triste e apreensivo com a divulgação de um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) que constata a preocupante falta de pessoas a entrar na carreira docente e a enveredar pela área. De acordo com os dados, a Educação é o ramo com menor procura no ensino superior (licenciaturas e mestrados), com apenas 4% do total de novos estudantes a ser colocado nesta área de estudo. “Este facto, juntamente com o envelhecimento do corpo docente, suscita preocupações quanto a uma escassez de professores num futuro próximo em Portugal”, pode ler-se no relatório.

A renumeração muito abaixo da média europeia, a carga horária das aulas e a carga de trabalho não relacionada directamente com a componente lectiva, como a comunicação com os pais e encarregados de educação, “pode também afectar a decisão de ingressar na carreira docente”, refere a mesma organização. Acredito que a aposta na educação é sempre prioritária para o desenvolvimento de qualquer sociedade, e devemos procurar garantir as melhores condições a quem se sente chamado a dedicar a sua vida a ajudar os mais novos a adquirirem as ferramentas necessária para construírem o seu futuro. Investir na formação de docentes competentes e dedicados é fundamental para o desenvolvimento da sociedade.

Ao mesmo tempo parece-me que é urgente que os pais possam cada vez mais valorizar a escola no sentido desta garantir uma instrução geral aos seus filhos sobre as matérias básicas, mas sem nunca descurarem o que diz o Catecismo da Igreja Católica: “Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Testemunham esta responsabilidade, primeiro pela criação dum lar onde são regra a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes, a qual requer a aprendizagem da abnegação, de sãos critérios, do autodomínio, condições da verdadeira liberdade. Os pais ensinarão os filhos a subordinar «as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais». Os pais têm a grave responsabilidade de dar bons exemplos aos filhos.” (2223)

O actual Ministro da Educação em Portugal, João Costa, está ligado ao Escutismo Católico Português desde há muitos anos, e apesar de todas as suas áreas de especialidade e formação pessoal espero que aquilo que sabe das 7 Maravilhas do Método Escutista possam de alguma forma inspirá-lo no cumprimento da sua missão. Lord Baden-Powell of Gilwell criou um sistema de auto-educação progressiva, baseado em sete elementos igualmente relevantes; Lei e Promessa, Mística e Simbologia, Vida na Natureza, Aprender Fazendo, Sistema de Patrulhas, Sistema de Progresso e Relação Educativa que se chama de método escutista, elemento pedagógico original e identitário do Escutismo.

Além destas maravilhas do Método, a Mística do Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas assenta num esquema de quatro etapas, com vista a uma formação humana e cristã integral, sólida e madura. No percurso sugerido, procura-se que o Escuteiro compreenda que a sua vida tem duas dimensões, uma sobrenatural e uma natural, e que ambas se relacionam intimamente: Cristo, Senhor da Vida, não se reduz à vivência espiritual e mística do Homem; Ele está presente na vida do dia-a-dia e ao longo de toda a existência humana. É, por isso, presença constante na vida de um Escuteiro. Nesta perspetiva, o itinerário proposto está sempre centrado em Cristo, pois tem no Senhor o seu centro e fonte de irradiação de sentido.

A experiência comprovada deste método poderia servir de inspiração para que as propostas educativas fossem cada vez mais ao encontro das necessidades objectivas de quem quer aprender atendendo à especificidade e à diversidade que sempre se encontra em cada ambiente escolar. Termino agradecendo publicamente a todos os professores que tive a oportunidade de ter e de quem, na sua grande maioria, guardo gratas recordações.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1332 - 7 de Outubro de 2022