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Mariscadores manifestam-se domingo contra proibição de apanha de bivalves na Lagoa de Óbidos

Lagoa de Obidos IV

Pescadores e mariscadores vão manifestar-se no domingo, na Foz do Arelho, Caldas da Rainha, em protesto contra a proibição da apanha de algumas espécies de bivalves, medida que alegam pôr em risco a subsistência de muitos profissionais.

O protesto foi convocado pela Associação de Pescadores e Mariscadores Amigos da Lagoa de Óbidos (APMALO) após “uma assembleia geral aberta a sócios e não sócios, em que participaram cerca de 90% dos mariscadores que trabalham na Lagoa de Óbidos”, os quais, segundo o presidente da associação, Sérgio Félix, manifestaram “grande descontentamento com a situação em que se encontram, devido à proibição da apanha de algumas espécies”.

Em causa está a proibição da apanha de Ameijoa-boa, Berbigão e Longueirão, determinada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), segundo uma deliberação publicada em Diário da República na quarta-feira. A medida foi justificada pelo facto de estas espécies apresentarem “teores de contaminação microbiológica e/ou química superiores aos limites regulamentares”, nomeadamente quanto à bactéria E.coli. Porém, a deliberação que proíbe a apanha destas três espécies permite a apanha de Ameijoa Japonesa, Ameijoa Macha e Mexilhão, na mesma lagoa, determinando que estes bivalves tenham de ser sujeitos a depuração antes de poderem ser vendidos. Os mariscadores questionam “como é que a lagoa não tem condições para a apanha de algumas variedades de marisco” mas é permitida a apanha de outras, quando “essas variedades andam todas juntas [na mesma água] ”, disse Sérgio Félix à agência Lusa.

As críticas dos mariscadores prendem-se também com o facto de a apanha destes bivalves ser proibida, mas manterem-se içadas “as bandeiras azuis e as bandeiras douradas” nas praias que confinam com a Lagoa, quer no concelho de Óbidos, quer no das Caldas da Rainha. “Os mariscadores ficam indignados, interrogando-se como é que para uma coisa a água tem qualidade e para outra já não tem”, acrescentou Sérgio Félix.

A APMALO convocou para domingo, às 15:30, uma manifestação junto ao antigo cais da Foz do Arelho, na margem norte da Lagoa, para exigir “das entidades oficiais que a apanha destas espécies volte a ser autorizada o mais rápido possível”, sustentando que esta proibição pode “estender-se por três anos”, pondo em causa a subsistência de cerca de uma centena de famílias ligadas à Lagoa de Óbidos. Durante o protesto, os mariscadores pretendem “colocar uma cruz dentro da Lagoa, para chamar a atenção para esta situação, que é a sua morte”, adiantou o presidente da APMALO, que representa mais de uma centena de pescadores e mariscadores licenciados para atividade.

Texto: ALVORADA com agência Lusa. Foto: Paulo Ribeiro/ALVORADA (arquivo).