Mau tempo: Comissão de Defesa da Linha do Oeste critica Governo pela demora nas reparações
- Categoria: Oeste
- 08/06/2026 18:20

A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste (CPDLO) considera “uma vergonha” que, mais de quatro meses após a tempestade Kristin, metade da Linha do Oeste continue sem comboios, exigindo ao Governo investimentos na sua reparação. “É preciso exigir do Governo, designadamente do ministro das Infraestruturas, uma postura de respeito e consideração pelos utentes da Linha do Oeste, abandonando a posição de ‘empurrar com a barriga’”, defende a CPDLO num comunicado em que considera “uma vergonha” que, desde a tempestade Kristin, em 28 de janeiro, esta linha tenha apenas “metade do percurso com comboios” a circular.
A comissão alerta que a Linha do Oeste está há “quase cinco meses sem comboios, entre Caldas da Rainha e Meleças [no concelho de Sintra]”, situação que se soma “às anteriores interrupções, supressões e atrasos de horas que marcaram o final do ano de 2025 e os primeiros meses de 2026, como se esta fosse uma situação normal e a maioria dos utentes deste eixo ferroviário só precisem dos comboios para fazerem turismo”. A CPDLO lembra que “as razões que justificam esta situação são mais que conhecidas” e critica que “as medidas para as resolver e o prazo para que tudo volte à normalidade” não sejam ainda conhecidos.
Depois de o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, poucos dias após as intempéries ter avançado um prazo de nove meses, “no mínimo, para a interrupção da circulação ferroviária” nesta linha, e de a Infraestruturas de Portugal, SA, ter confirmado essa previsão “sem que se conhecessem estudos que confirmassem os palpites”, a comissão questiona que obras “estão feitas para pôr a circular os comboios entre Caldas da Rainha e Meleças”.
De acordo com a CPDLO, em locais como Outeiro da Cabeça, no concelho de Torres Vedras, onde “muitas dezenas de metros de linha” foram levantados, só agora estão a ser feitos “os trabalhos iniciais de reparação”. Noutros locais, onde os danos foram menores, como no Pinhal (entre Óbidos e A-da-Gorda), no concelho de Óbidos, “não houve qualquer preocupação em reparar rapidamente, contrariamente ao que aconteceu próximo de Valado de Frades [concelho da Nazaré]”, acrescenta a comissão no texto em que considera que, “por este andar, os nove meses se esgotam sem que as obras relativas aos danos das intempéries fiquem feitas e muito menos ficarão as referentes à modernização e eletrificação do troço Caldas da Rainha/Meleças”.
“Estão, portanto, a enganar os utentes, prometendo o que não irão cumprir”, acusa a CPDLO, criticando ainda “as soluções alternativas impostas aos utentes” neste troço, as quais “são indignas e revelam a total desconsideração e desrespeito para com quem precisa de utilizar o comboio regularmente para ir trabalhar ou estudar”, uma vez que se traduzem em “tempos de percurso em autocarro de duas horas e 45 minutos, com atrasos sistemáticos no cumprimento dos horários”.
A CPDLO exige, assim, “a reparação, urgente, do troço entre Caldas da Rainha e Torres Vedras, para que seja reativada a circulação ferroviária entre aquelas duas estações e entre a Malveira e Meleças, ficando apenas a ser assegurado em autocarro o percurso entre Torres Vedras e a Malveira”, reiterando tratar-se de “investimentos que têm de ser feitos na ferrovia” e instando o Governo a deixar de “empurrar com a barriga”.
A Lusa questionou a empresa pública Infraestruturas de Portugal sobre o ponto de situação das reparações dos danos causados pelas tempestades nesta linha, mas ainda não obteve esclarecimentos.
Texto: ALVORADA com agência Lusa. Foto: Paulo Ribeiro/ALVORADA.



